Tendências de consumo no e-commerce para 2027

O consumidor digital está mudando rapidamente. Se antes comprar pela internet significava acessar uma loja virtual, procurar um produto e finalizar o pedido, em 2027 essa jornada deverá ser mais distribuída, personalizada e influenciada por inteligência artificial, vídeos, redes sociais e recomendações.

O preço continuará sendo importante, mas não será o único fator de decisão. Conveniência, confiança, prazo de entrega, avaliações, experiência mobile, transparência e identificação com a marca terão cada vez mais peso.

Como ainda estamos em 2026, não é possível afirmar com certeza tudo o que acontecerá no próximo ano. Entretanto, dados recentes já revelam movimentos que provavelmente ganharão força.

Neste artigo, você conhecerá as principais tendências de consumo no e-commerce para 2027 e como preparar sua loja virtual.

O e-commerce brasileiro deve continuar crescendo em 2027

Dados da ABIACOM apresentados em levantamentos do setor indicam que o comércio eletrônico brasileiro movimentou aproximadamente R$ 235,5 bilhões em 2025.

As projeções apontam para R$ 259,08 bilhões em 2026 e R$ 284,98 bilhões em 2027.

Se a projeção se confirmar, o mercado poderá crescer aproximadamente R$ 49,5 bilhões em dois anos.

Esse avanço representa uma oportunidade, mas também significa mais concorrência. Ter uma loja virtual não será suficiente. As empresas precisarão compreender o consumidor e criar experiências mais rápidas, confiáveis e relevantes.

Confira também as estatísticas do e-commerce no Brasil em 2026.

1. Inteligência artificial participando da decisão de compra

A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta usada pelas empresas. Ela começa a participar diretamente da jornada do consumidor.

As pessoas já utilizam ferramentas de IA para:

  • Pesquisar produtos;

  • Comparar modelos;

  • Entender diferenças técnicas;

  • Encontrar presentes;

  • Resumir avaliações;

  • Analisar custo-benefício;

  • Descobrir marcas;

  • Escolher tamanhos;

  • Organizar listas de compra.

Dados da Adobe mostram que o tráfego enviado por fontes de inteligência artificial para sites de varejo dos Estados Unidos cresceu 393% no primeiro trimestre de 2026, em comparação com o mesmo período do ano anterior.

Outro levantamento da Adobe revelou que 65% dos consumidores que utilizaram IA nas compras online disseram se sentir mais confiantes depois da ajuda da tecnologia. Além disso, 68% afirmaram estar menos propensos a devolver o produto.

Em 2027, a tendência é que consumidores utilizem assistentes para reduzir o tempo de pesquisa e receber recomendações mais específicas.

Para aparecer nessas respostas, a loja deverá oferecer dados claros, como preço, estoque, marca, medidas, materiais, compatibilidade, prazo, avaliações e políticas.

Descrições vagas poderão prejudicar tanto o consumidor quanto a interpretação dos sistemas de IA.

2. Personalização com limites e transparência

O consumidor espera encontrar produtos e ofertas relacionados aos seus interesses, mas não deseja sentir que está sendo vigiado.

O relatório de tendências digitais de 2026 da Adobe mostra que as empresas reconhecem a importância de experiências personalizadas e capazes de antecipar necessidades.

Ao mesmo tempo, o relatório de consumidores da Adobe indica que as pessoas valorizam a conveniência da IA, mas ainda não querem abrir mão do controle sobre informações sensíveis e decisões importantes.

Em 2027, personalizar bem significará utilizar dados com relevância e responsabilidade.

Alguns exemplos são:

  • Recomendar produtos complementares;

  • Lembrar uma reposição;

  • Mostrar novamente uma categoria visitada;

  • Adaptar comunicações ao histórico de compras;

  • Separar ofertas por interesse;

  • Personalizar vitrines;

  • Evitar campanhas sobre produtos já comprados.

A loja deve explicar como utiliza os dados, pedir consentimento quando necessário e oferecer opções para o consumidor gerenciar suas preferências.

Personalização sem confiança pode parecer invasão.

3. Social commerce mais integrado à jornada

As redes sociais deixaram de funcionar apenas como canais de divulgação.

Com o avanço do social commerce, vídeos, transmissões, criadores e produtos passam a fazer parte da mesma experiência.

O consumidor pode descobrir uma mercadoria em um vídeo, assistir a uma demonstração, conferir comentários e iniciar a compra sem uma pesquisa tradicional.

O TikTok Shop representa esse movimento. A ferramenta aproxima entretenimento, influência e conversão.

No artigo TikTok Shop e o aumento das vendas online, a DevRocket explica como conteúdo, afiliados e vendas podem funcionar dentro do mesmo ecossistema.

Em 2027, as lojas deverão pensar em conteúdo comprável.

Isso inclui:

  • Reels demonstrando produtos;

  • Vídeos curtos com benefícios;

  • Lives de lançamento;

  • Conteúdo produzido por clientes;

  • Parcerias com criadores;

  • Comparações;

  • Tutoriais;

  • Links diretos para os produtos.

O conteúdo não deverá apenas gerar curtidas. Ele precisará reduzir dúvidas e facilitar o próximo passo.

4. Conteúdo real ganhando espaço

Com a expansão da inteligência artificial, a produção de conteúdo se tornou mais rápida. Porém, isso também aumentou a quantidade de materiais genéricos.

Em 2027, conteúdos próprios e difíceis de copiar poderão ganhar ainda mais valor.

O consumidor tende a procurar:

  • Demonstrações reais;

  • Pessoas utilizando os produtos;

  • Avaliações com contexto;

  • Bastidores;

  • Comparações honestas;

  • Testes;

  • Fotografias próprias;

  • Opiniões de especialistas;

  • Histórias de clientes;

  • Processos de fabricação.

A autenticidade não significa abandonar qualidade. Significa apresentar informações verdadeiras e úteis.

Um vídeo gravado com o celular pode ser mais convincente do que uma superprodução quando mostra exatamente como o produto funciona.

5. Consumidor mais sensível ao valor total

Em um cenário de preços, juros e orçamento familiar pressionado, o consumidor não analisa apenas o preço anunciado.

Ele observa o custo total da compra:

  • Valor do produto;

  • Frete;

  • Prazo;

  • Parcelamento;

  • Desconto no PIX;

  • Possibilidade de troca;

  • Qualidade;

  • Durabilidade;

  • Garantia;

  • Benefícios incluídos.

Isso significa que competir apenas pelo menor preço pode não ser sustentável.

Uma loja pode vender mais caro quando oferece segurança, entrega confiável, informações completas e atendimento eficiente.

Também cresce a importância de kits econômicos, embalagens maiores, descontos progressivos e produtos multifuncionais.

O consumidor de 2027 deverá buscar uma resposta simples: “o que eu realmente recebo pelo valor pago?”.

6. Frete e prazo influenciando a escolha da loja

O frete continuará sendo um dos principais pontos de decisão e abandono.

O consumidor deseja entender o valor e o prazo antes de chegar às últimas etapas da compra.

Custos inesperados podem interromper a conversão. O mesmo acontece quando a entrega é demorada ou pouco transparente.

Para se preparar, a loja deve:

  • Exibir o cálculo de frete facilmente;

  • Informar o prazo de forma clara;

  • Oferecer rastreamento;

  • Trabalhar com mais de uma opção logística;

  • Criar políticas de frete grátis sustentáveis;

  • Disponibilizar retirada quando possível;

  • Utilizar pontos de coleta;

  • Melhorar a embalagem;

  • Explicar atrasos rapidamente.

O relatório de tendências de e-commerce 2026 da DHL, realizado com consumidores e empresas de diferentes mercados, destaca entrega, devoluções, pagamentos, inteligência artificial e sustentabilidade entre os temas que moldam o setor.

Entenda também como o frete impacta a decisão de compra.

7. Entregas flexíveis e pontos de retirada

Nem todo consumidor quer receber o pedido em casa.

Em algumas situações, a pessoa não permanece no endereço durante o dia. Em outras, considera mais seguro retirar a compra em um local próximo.

Por isso, armários inteligentes, pontos de coleta, retirada na loja e outras modalidades deverão ganhar relevância.

A flexibilidade permite que o cliente escolha entre:

  • Entrega mais rápida;

  • Entrega econômica;

  • Data agendada;

  • Retirada;

  • Ponto de coleta;

  • Recebimento em loja física.

Para o lojista, essas alternativas podem ajudar a reduzir tentativas de entrega e melhorar a experiência.

8. Pagamentos rápidos e menos etapas no checkout

Em 2027, o consumidor deverá ter ainda menos tolerância a processos demorados.

Se a compra exigir muitas telas, cadastro obrigatório ou preenchimento excessivo de dados, o cliente pode desistir.

A loja precisa oferecer:

  • PIX;

  • Cartão;

  • Carteiras digitais;

  • Parcelamento;

  • Checkout mobile;

  • Preenchimento simples;

  • Recuperação de pagamento;

  • Informações de segurança;

  • Resumo claro do pedido.

A velocidade não pode eliminar a transparência. Antes de pagar, o consumidor precisa visualizar produto, quantidade, frete, prazo e valor final.

O artigo Carrinho abandonado no e-commerce apresenta melhorias para reduzir obstáculos no checkout.

9. Experiência integrada entre canais

O consumidor não separa a empresa em “loja física”, “site”, “marketplace”, “Instagram” e “WhatsApp”. Para ele, tudo faz parte da mesma marca.

Em 2027, será ainda mais importante integrar:

  • Estoque;

  • Preço;

  • Pedidos;

  • Atendimento;

  • Informações dos produtos;

  • Trocas;

  • Histórico;

  • Promoções;

  • Logística.

Uma pessoa pode descobrir um produto no TikTok, pesquisar no Google, conversar pelo WhatsApp, comprar no site e retirar na loja.

Se os canais apresentarem informações diferentes, a confiança diminui.

O artigo Por que a loja física também deve estar no virtual mostra como a integração pode ampliar a presença da empresa.

10. Avaliações como parte central da compra

Avaliações continuarão influenciando decisões, mas o consumidor deverá ser mais criterioso.

Comentários genéricos ou excessivamente positivos podem gerar desconfiança.

As avaliações mais úteis são aquelas que informam:

  • Qual produto foi comprado;

  • Como foi utilizado;

  • Qual é o tamanho;

  • Como ficou no ambiente;

  • Quanto tempo levou para chegar;

  • Qual foi a percepção de qualidade;

  • Para quem o item é indicado.

A loja deve facilitar o envio de avaliações depois da compra e responder críticas com respeito.

Fotografias e vídeos de clientes ajudam a transformar opiniões em provas mais concretas.

Conheça também o segredo das avaliações no e-commerce.

11. Recompra, assinatura e conveniência

Com os custos de aquisição mais altos, as empresas buscarão gerar mais valor a partir dos clientes já conquistados.

Ao mesmo tempo, consumidores querem economizar tempo em compras repetitivas.

Isso favorece:

  • Assinaturas;

  • Reposição automática;

  • Kits mensais;

  • Lembretes;

  • Programas de fidelidade;

  • Cashback;

  • Descontos para recompra;

  • Produtos complementares;

  • Benefícios para clientes ativos.

A recorrência funciona especialmente bem em segmentos como beleza, pet, alimentos, suplementos, higiene, papelaria e produtos de reposição.

No entanto, o consumidor precisa ter controle. Cancelamento, pausa e alteração da assinatura devem ser simples.

12. Produtos usados, recondicionados e economia circular

O mercado de segunda mão deve ganhar mais espaço, impulsionado por preço, acesso e aproveitamento de produtos.

O relatório DHL E-Commerce Trends 2026 destaca os produtos de segunda mão entre os movimentos que estão mudando as compras online.

Em 2027, lojas podem encontrar oportunidades em:

  • Eletrônicos recondicionados;

  • Moda circular;

  • Móveis usados;

  • Livros;

  • Produtos de mostruário;

  • Embalagens retornáveis;

  • Programas de recompra;

  • Venda de itens revisados.

A descrição deve informar claramente o estado, marcas de uso, garantia e itens incluídos.

Economia circular não significa vender um produto usado como novo. A transparência é indispensável.

13. Sustentabilidade com provas

O consumidor está mais atento a alegações ambientais.

Termos como “verde”, “natural”, “consciente” e “sustentável” não devem ser utilizados sem explicação.

Marcas confiáveis mostram:

  • Origem do material;

  • Durabilidade;

  • Possibilidade de reutilização;

  • Tipo de embalagem;

  • Certificações;

  • Impacto reduzido;

  • Forma de descarte;

  • Processo de fabricação.

Em 2027, o chamado greenwashing tende a ser mais questionado. As empresas precisarão trocar frases vagas por informações verificáveis.

14. Mobile como prioridade absoluta

O celular já ocupa o centro da jornada digital e deverá continuar assim.

A loja precisa funcionar bem em telas menores, com:

  • Carregamento rápido;

  • Botões fáceis de tocar;

  • Texto legível;

  • Fotografias leves;

  • Busca eficiente;

  • Menu simples;

  • Checkout curto;

  • PIX fácil de copiar;

  • Atendimento acessível.

Uma campanha pode gerar milhares de acessos e ainda fracassar se a experiência mobile for ruim.

A DevRocket mostra outras melhorias no artigo Como a experiência do usuário impacta o crescimento da loja virtual.

Como preparar a loja para 2027

Comece com uma revisão prática:

  1. Organize os dados dos produtos;

  2. Melhore descrições e fotografias;

  3. Revise a experiência mobile;

  4. Simplifique o checkout;

  5. Avalie as opções de frete;

  6. Integre os canais;

  7. Crie conteúdo real;

  8. Solicite avaliações;

  9. Planeje ações de recompra;

  10. Utilize inteligência artificial com revisão humana;

  11. Respeite a privacidade;

  12. Acompanhe conversão, margem e recorrência.

Também vale analisar as principais previsões de produtos para 2027.

As tendências de consumo no e-commerce para 2027 apontam para uma jornada mais rápida, personalizada, conectada e assistida por inteligência artificial.

O consumidor continuará valorizando preço, mas também considerará confiança, prazo, avaliações, facilidade, transparência e experiência.

A inteligência artificial ajudará na pesquisa. As redes sociais participarão mais da descoberta. O checkout precisará de menos etapas. A logística deverá oferecer flexibilidade. Avaliações e conteúdo real ajudarão a reduzir inseguranças.

Nenhuma previsão é garantia. Por isso, a melhor estratégia não é adotar todas as novidades ao mesmo tempo.

Observe seus clientes, teste melhorias e acompanhe os resultados. As lojas mais preparadas para 2027 serão aquelas capazes de utilizar tecnologia sem perder clareza, responsabilidade e proximidade humana.

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