O cliente acessa a loja virtual, pesquisa produtos, escolhe um item, adiciona ao carrinho e, pouco antes de concluir o pedido, abandona a compra. Essa situação é comum no comércio eletrônico e representa uma das principais oportunidades de melhoria para quem vende online.
Segundo o levantamento mais recente do Baymard Institute, que reúne dados de diferentes estudos internacionais, a taxa média de abandono de carrinho no e-commerce é de aproximadamente 70,22%. Isso significa que, a cada dez carrinhos criados, cerca de sete não se transformam imediatamente em pedidos.
Parte dessas desistências é natural. Algumas pessoas estão apenas pesquisando preços, salvando produtos para comprar depois ou simulando o valor do frete. Entretanto, muitos consumidores abandonam a compra por dificuldades que poderiam ser evitadas.
Frete inesperado, checkout complicado, ausência da forma de pagamento desejada, lentidão, falta de confiança e obrigatoriedade de cadastro são exemplos de obstáculos que podem afastar clientes já interessados.
A boa notícia é que o carrinho abandonado não deve ser tratado apenas como uma venda perdida. Ele também pode revelar problemas na experiência da loja e servir como ponto de partida para campanhas de recuperação.
Neste artigo, você entenderá as principais causas do abandono de carrinho e conhecerá ações estratégicas para aumentar a conversão da sua loja virtual.
Um carrinho abandonado acontece quando o consumidor adiciona um ou mais produtos ao carrinho, mas sai da loja sem concluir o pedido.
Também pode existir o abandono de checkout, que ocorre quando o cliente avança para a etapa de preenchimento dos dados, entrega ou pagamento, porém não finaliza a compra.
Embora os dois comportamentos estejam relacionados, eles representam momentos diferentes da jornada.
Quem apenas adicionou um item ao carrinho pode ainda estar comparando opções. Já quem informou endereço, escolheu o frete ou chegou ao pagamento demonstra uma intenção de compra geralmente mais avançada.
Essa diferença é importante para definir as ações de recuperação. Quanto mais próximo da conclusão o cliente chegou, mais personalizada pode ser a comunicação.
Nem todo abandono significa que a loja possui uma falha.
Alguns consumidores usam o carrinho como uma lista de desejos. Outros adicionam produtos apenas para consultar o frete, verificar o prazo de entrega ou comparar o valor final com outras lojas.
Também existem clientes que iniciam a compra no celular e concluem posteriormente pelo computador, ou que precisam esperar o salário, a aprovação de outra pessoa ou uma data específica.
Por isso, esperar uma taxa de abandono próxima de zero não é realista.
O objetivo da empresa deve ser identificar os abandonos que acontecem por barreiras evitáveis e melhorar continuamente a experiência de compra.
O próprio Baymard Institute estima que um site de e-commerce médio pode obter uma melhoria significativa na conversão apenas com ajustes de usabilidade no checkout. A pesquisa destaca que problemas no design e na experiência da etapa final continuam prejudicando as vendas de muitas lojas.
Para reduzir as desistências, primeiro é necessário entender os motivos que levam o consumidor a sair da loja.
Uma das maiores frustrações do consumidor é encontrar custos inesperados somente no checkout.
O cliente visualiza um preço atrativo, adiciona o produto ao carrinho e descobre que o frete tornou o pedido muito mais caro. Dependendo da operação, também podem aparecer taxas adicionais ou condições que não estavam claras anteriormente.
Mostrar o cálculo de entrega ainda na página do produto ajuda o consumidor a tomar uma decisão mais consciente.
Também é importante informar com clareza regras de frete grátis, prazos, retirada na loja e possíveis restrições regionais.
Exigir um cadastro completo pode aumentar o atrito, especialmente quando o consumidor está realizando a primeira compra.
Sempre que a plataforma permitir, ofereça a possibilidade de comprar como visitante. Os dados indispensáveis para faturamento e entrega ainda podem ser solicitados, mas sem obrigar a pessoa a criar uma senha antes de finalizar.
Depois da compra, a loja pode convidar o cliente a ativar uma conta para acompanhar pedidos ou agilizar compras futuras.
Quanto mais campos, telas e decisões forem exigidos, maior será a possibilidade de desistência.
Formulários duplicados, informações desnecessárias e mensagens de erro pouco claras tornam a experiência cansativa.
Um checkout eficiente deve pedir somente os dados necessários, indicar o progresso e funcionar corretamente tanto no computador quanto no celular.
O consumidor pode abandonar a compra quando não encontra sua opção preferida.
Por isso, avalie a possibilidade de disponibilizar:
As opções devem ser adequadas ao público e ao ticket médio da loja. Um produto de maior valor, por exemplo, pode depender de condições de parcelamento mais competitivas.
Nem sempre o problema está no preço do frete. Em algumas situações, o prazo é o principal motivo da desistência.
O consumidor pode precisar do produto para uma viagem, aniversário ou evento específico. Se a entrega ultrapassa essa data, a compra perde o sentido.
Trabalhar com diferentes transportadoras, pontos de retirada e modalidades de envio pode ajudar a oferecer alternativas.
O cliente pode gostar do produto, mas ainda ter receio de pagar.
Alguns sinais ajudam a transmitir segurança:
A confiança precisa ser construída durante toda a navegação, e não apenas na última etapa.
Páginas que demoram para carregar, botões que não respondem e erros no cálculo do frete interrompem a jornada.
O desempenho mobile merece atenção especial, pois muitos consumidores pesquisam e compram pelo celular. O Google destaca há anos a relação entre velocidade, experiência mobile e resultados de conversão.
Teste periodicamente a loja em diferentes navegadores, aparelhos e conexões. A equipe não deve avaliar somente em computadores rápidos ou em uma rede interna de alta velocidade.
O campo de cupom pode gerar uma situação inesperada: o cliente vê que existe a possibilidade de aplicar um código e sai da loja para procurar algum desconto.
Se encontrar um cupom inválido ou perceber que outras pessoas possuem condições melhores, pode desistir.
A loja deve revisar os códigos ativos e apresentar mensagens claras quando um cupom não puder ser utilizado.
Também vale avaliar se o campo precisa receber tanto destaque no checkout ou se pode ser apresentado de maneira mais discreta.
Para melhorar, é necessário acompanhar dados.
No Google Analytics 4, a loja pode configurar eventos de comércio eletrônico para registrar as principais etapas da jornada.
Esses eventos ajudam a visualizar quantas pessoas:
Os eventos de e-commerce não são enviados automaticamente pelo GA4. Eles precisam ser implementados na loja, diretamente no código, por uma integração da plataforma ou pelo Google Tag Manager.
Uma fórmula simples para acompanhar o abandono entre o carrinho e a compra é:
Taxa de abandono = carrinhos não convertidos ÷ carrinhos criados × 100
Considere o seguinte exemplo:
A taxa de abandono seria de 70%.
Entretanto, não acompanhe apenas o número final. Analise em qual etapa acontece a maior perda.
Se muitos usuários adicionam produtos, mas poucos iniciam o checkout, pode existir um problema no carrinho, no valor do frete ou na apresentação do botão de continuação.
Se o abandono aumenta após o preenchimento do endereço, investigue prazo e custo de entrega.
Se as pessoas chegam ao pagamento e não concluem, avalie as formas disponíveis, recusas, estabilidade do gateway e clareza das mensagens.
Antes de criar campanhas de recuperação, corrija os problemas que provocam as desistências.
Não adianta enviar mensagens para o consumidor voltar se ele encontrará novamente a mesma barreira.
O cliente deve visualizar claramente:
Evite alterações inesperadas no valor entre o carrinho e o pagamento.
O consumidor precisa conseguir aumentar ou reduzir a quantidade, remover itens e retornar à loja sem perder o que já selecionou.
Caso o produto tenha variações, deixe tamanho, cor ou modelo visíveis no resumo.
Quando possível, permita o cálculo na página do produto e no carrinho.
Se a empresa oferece frete grátis acima de determinado valor, informe quanto falta para o consumidor alcançar o benefício.
Essa estratégia também pode aumentar o ticket médio, desde que a comunicação seja clara e a meta seja realista.
Revise cada informação solicitada.
Pergunte internamente: esse dado é realmente necessário para processar e entregar o pedido?
Utilize preenchimento automático, máscara para campos, busca de endereço pelo CEP e opção de copiar o endereço de entrega para o faturamento.
Mantenha os produtos salvos por um período adequado.
O consumidor pode retornar horas ou dias depois. Se encontrar o carrinho vazio, precisará repetir todo o processo e poderá desistir.
Em vez de mostrar apenas “campo inválido”, explique o que deve ser corrigido.
Em pagamentos recusados, evite mensagens que deixem o consumidor sem alternativa. Permita tentar novamente, trocar o cartão ou escolher outro método sem refazer todo o pedido.
Botões pequenos, pop-ups difíceis de fechar e formulários extensos prejudicam a compra mobile.
O consumidor deve conseguir selecionar produtos, calcular a entrega e pagar usando apenas uma mão, sem ampliar a tela constantemente.
Mesmo com uma experiência eficiente, alguns clientes continuarão abandonando. Nesse momento, entram as automações de recuperação.
O e-mail é uma das ações mais conhecidas.
A mensagem deve apresentar:
Algumas plataformas registram quando um checkout foi recuperado após o envio da comunicação, permitindo acompanhar o desempenho da estratégia.
Uma sequência possível seria:
Primeiro e-mail: lembrete enviado pouco tempo depois do abandono.
Segundo e-mail: reforço dos benefícios, avaliações ou diferenciais.
Terceiro e-mail: senso de urgência verdadeiro, quando houver estoque limitado ou prazo real de promoção.
Não é necessário oferecer desconto imediatamente. Parte dos clientes abandonou apenas por distração e pode retornar com um simples lembrete.
O WhatsApp pode apresentar bons resultados porque faz parte da rotina dos consumidores brasileiros.
Entretanto, a abordagem precisa ser cuidadosa.
Evite mensagens invasivas, insistentes ou enviadas em horários inadequados. O contato deve identificar a loja, lembrar o produto e oferecer ajuda.
Exemplo:
“Olá, tudo bem? Vimos que você iniciou uma compra em nossa loja, mas o pedido não foi concluído. Ficou com alguma dúvida sobre o produto, pagamento ou entrega? Estamos à disposição para ajudar.”
Em automações, também é importante respeitar o consentimento do consumidor e as políticas do canal utilizado.
Campanhas de remarketing podem exibir anúncios para pessoas que visualizaram produtos ou abandonaram o carrinho.
Os anúncios podem destacar:
Controle a frequência para não cansar o consumidor. Ver o mesmo produto repetidamente pode gerar rejeição em vez de interesse.
Dependendo da estrutura da loja, também podem ser utilizadas:
O canal deve ser escolhido com base no perfil do público, no consentimento e no valor do pedido.
O desconto pode ajudar, mas não deve ser automático em todos os casos.
Quando o consumidor percebe que sempre receberá um cupom após abandonar, pode aprender a interromper a compra de propósito.
Antes de conceder desconto, teste outros argumentos:
O cupom pode ser reservado para segmentos específicos, como primeira compra, clientes de alto potencial ou carrinhos acima de determinado valor.
Também é possível utilizar benefícios com menor impacto na margem, como frete reduzido, brinde ou pontos no programa de fidelidade.
Não envie a mesma mensagem para todos.
Crie segmentações por:
Um cliente que abandonou um produto de R$ 50 não deve necessariamente receber a mesma abordagem de quem deixou um carrinho de R$ 2.000.
Da mesma forma, alguém que chegou ao pagamento demonstra um comportamento diferente de quem apenas adicionou um item.
Além da taxa de abandono, monitore:
Mostra quantos carrinhos abandonados foram transformados em pedidos após as ações.
Apresenta o valor gerado pelas automações.
Ajuda a avaliar o desempenho dos e-mails e mensagens.
Compara e-mail, WhatsApp, SMS, remarketing e outros meios.
Mostra quanto tempo o cliente leva para retornar e comprar.
Permite avaliar se a receita recuperada compensou a redução da margem.
Uma campanha pode gerar compras por impulso que depois são canceladas. Por isso, analise a qualidade da receita, não apenas a quantidade de pedidos.
As mudanças devem ser testadas sempre que possível.
Alguns elementos que podem participar de testes A/B são:
Altere um grupo controlado de elementos e compare os resultados durante um período suficiente.
Não tome decisões com base em poucos pedidos ou em um único dia de vendas.
Reduzir o abandono de carrinho exige uma combinação de tecnologia, experiência do usuário, layout, análise de dados e marketing.
A DevRocket trabalha com desenvolvimento, configuração e personalização de lojas virtuais, além de serviços de tráfego pago, banners, social media e melhorias voltadas à experiência de compra.
Uma análise especializada pode identificar problemas no carrinho, no checkout, na navegação mobile, na apresentação das informações e na estrutura visual da loja.
Também é possível desenvolver recursos e estratégias adequados à plataforma e às necessidades de cada operação.
O carrinho abandonado faz parte da realidade do e-commerce, mas isso não significa que a empresa deve aceitar todas as desistências como inevitáveis.
Muitos consumidores deixam de comprar por problemas que podem ser corrigidos: custos inesperados, checkout complexo, lentidão, poucas formas de pagamento, falta de confiança ou dificuldades no celular.
O primeiro passo é medir corretamente a jornada. Depois, a loja deve identificar os maiores pontos de abandono, priorizar melhorias e criar campanhas segmentadas para recuperar clientes.
E-mail, WhatsApp e remarketing podem trazer consumidores de volta, mas essas ações funcionam melhor quando a experiência de compra já foi otimizada.
Mais do que recuperar pedidos, analisar o carrinho abandonado ajuda a compreender o comportamento do consumidor e a construir uma loja virtual mais simples, confiável e preparada para vender.
Em vez de enxergar apenas vendas perdidas, utilize esses dados para descobrir oportunidades de melhoria e aumentar a conversão do seu e-commerce.
#migração #lojavirtual #ecommerce #planejamento
#ERP #Planilha #Bling #Desconto
#ERP #Bling #CupomDesconto
#Gestão #EmissãodeNF #Bling #ERP
#ERP #Bling #CupomDesconto